quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Lenha na Fogueira - 29.09.16


A burocracia quase cancela a realização do Festival Folclórico de Guajará Mirim – Duelo na Fronteira. Na realidade, não foi bem a burocracia, foi a falta de sensibilidade de uma autoridade.

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O material adquirido pelo governo através de licitação, tudo direitinho, como manda o figurino, de repente ficou ou está em Porto Velho com a dúvida levantada pelo Promotor do MP de Guajará, se pode ou não ser utilizado pelos bois bumbás Flor do Campo e Malhadinho para confeccionar suas fantasias e alegorias.

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Como não sou conhecedor dos trâmites legais e nem das leis que regem esse tipo de “entrevero”, fico me perguntando ou questionando: Se deixaram que a licitação fosse feita, se concordaram que as empresas vencedoras da licitação estavam aptas para fornecer os materiais, se as empresas despacharam o material de São Paulo para Porto Velho, por que esse material não pode ser entregue aos bumbás?

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E tem mais, o convênio foi firmado com a AFAG e não com os Bois e por isso o material deve ser entregue a AFAG que de acordo com o Projeto que deve constar do processo que atende a emenda do deputado Dr. Neidson no valor de R$ 300 Mil, deve dizer que o material tem como destino a confecção das fantasias e alegorias dos bois Malhadinho e Flor do Campo.

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Se por um acaso se decidir, que os bois realmente não poderão receber esse material, para quem a AFAG vai entregá-lo. Como a AFAG vai prestar conta da utilização desse material que não vai ser usado?

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Será que as empresas paulistas vão aceitar devolver o dinheiro em troca da devolução do material?

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Sabe de uma coisa, muitas vezes ou na maioria das vezes, o excesso de 'zelo” com a coisa pública só atrapalha o trabalho de quem procura fazer alguma coisa pela cultura do nosso estado. Minha opinião particular, é que decisões como esta, não passam de hipocrisia burocrática.

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Ainda bem que as diretorias dos dois bois, resolveram colocar os grupos de qualquer maneira. Esse de qualquer maneira, não quer dizer que as apresentações perderão seus brilhos, muito pelo contrário, agora é que a turma está trabalhando com mais afinco para mostrar o melhor para quem for assistir o Duelo na Fronteira nos dias 7, 8 e 9 de outubro.

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E como o caboclo costuma dizer: “Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece”

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Por falar em burocracia, alguém anda querendo atrapalhar o trabalho da Federação de Grupos Folclóricos de Rondônia – Federon. Tem uma emenda parlamentar, que inicialmente deveria ser utilizada durante o Flor do Maracujá depois ficou para o Arraial Comunidade no Sertão, mais tarde para a Semana do Folclore e ultimamente para um evento que está marcado para acontecer no mês de novembro.

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Só que após idas e vindas da documentação, que por parte da Federon está toda correta. Com Projeto, justificativa e outras exigências, até ontem não havia sido autorizada pela autoridade competente. Acho que tem caroço nesse angu!

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Quem está se virando mais que charuto em boca de bêbado, para que os subsídios da emenda sejam liberados o mais rápido possível, é o professor Severino Castro. Ontem Severino e Aluizio Guedes estavam correndo atrás do prejuízo. Teve presidente de grupo que postou no waths: “Se esse dinheiro não sair tô ferrado”. Aliás quase todos estão ferrados se essa grana não sair.

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Vale salientar, que o dinheiro de inicio seria utilizado no pagamento da mão de obra dos artesãos que desenvolveram as alegorias e adereços dos bois bumbás e das quadrilhas. Eles acreditaram que receberiam logo após o Maracujá mas, a burocracia hipócrita não permitiu. Realmente tem gente urrando!

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Domingo tem eleição!

Duelo na Fronteira confirmado em outubro


O Festival Folclórico de Guajará Mirim – Duelo na Fronteira de acordo com a vice-presidente da Comissão Coordenadora Solani Sol está confirmado e vai acontecer nos dias 7, 8 e 9 de outubro.
Solani que também é a responsável pela direção artística do bumbá campeão do último festival o Flor do Campo, disse que, apesar dos problemas burocráticos que estão atrasando a entrega do material adquirido pelo governo do estado em convênio com a Associação dos Filhos e Amigos de Guajará – AFAG, tanto o Malhadinho como o Flor do Campo estão trabalhando para se apresentar nos dias previamente programados para a realização do 20° Duelo na Fronteira, ou seja, 7, 8 e 9 de outubro.
Alegoria do Flor do Campo
Nesta quinta feira 29 às 16 horas, acontecerá reunião entre os dirigentes dos bois Malhadinho e Flor do Campo, Associação do Filhos e Amigos de Guajará, Promotor de Justiça de Guajará, Procurador do Estado de Rondônia e dirigentes da Sejucel com o objetivo de se achar uma maneira da AFAG poder entregar o material (que já se encontra em Porto Velho) adquirido junto a empresas de São Paulo, que deverão ser utilizados na confecção das indumentárias dos bumbás. “O Promotor quer tirar a dúvida sobre se pode ou não liberar a entrega do material, que está em nome da AFAG aos bois bumbás”.
O presidente emérito do bumbá Malhadinho Léonilso Sousa consultado pela reportagem do Diário da Amazônia também confirmou, que o Festival vai acontecer nos dias 7, 8 e 9 de outubro.“Não podemos mais esperar, vamos colocar o boi na arena custo o que custar”.

Galo da Meia Noite tem novo presidente


A Associação Cultural Bloco Carnavalesco Galo da Meia em reunião extraordinária que aconteceu na Casa da Cultura Ivan Marrocos na noite da última segunda feira 26, elegeu o desenhista e carnavalesco Benjamin Mourão da Silva Jr., presidente executivo.
Mourão assume a presidência do Galo prometendo realizar um grande carnaval em 2017. “Vamos festejar os 25 anos do bloco promovendo um desfile que esperamos vai ficar na história, não só do carnaval do Galo mas, de todo o carnaval de Porto Velho”, disse Mourão. Dos sócios com direito a voto, apenas dois não compareceram à reunião o Edson José Caula porque está viajando e o Thiago Caúla agora ex presidente.
Outra decisão já tomada pela direção do Galo da Meia Noite é que o diretor da Banda Carijó será o música Nilson do Cavaco que se responsabiliza a tocar apenas as marchinhas dos compositores do Galo. “Temos mais de 80 marchinhas que não sabem explicar porque nãi eram tocadas nos desfiles do nosso bloco”.

Concurso de Marchinhas

Ainda este ano, a direção artística do Galo convocará os compositores interessados em participar do festival de marchinhas, alusivas aos 25 anos do bloco, que foi fundado pelos carnavalescos Magna, Edson e Jorge Caula e Carlinhos Mocidade. O Galo da Meia Noite hoje é considerado o segundo maior bloco de Porto Velho.

Em 2017 o bloco vai desfilar no dia 23 de fevereiro.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Lenha na Fogueira - 28.09.16


Como não publicamos a coluna na edição de ontem, só agora vamos tecer alguns comentários, sobre os acontecimentos do final da semana passada.
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A grande novidade foi que o cantor e compositor Beto Cezar voltou a se apresentar no Mercado Cultural, ele e o Nilson do Cavaco. Melhor ainda, na primeira apresentação da volta, muita gente prestigiou a Roda de Samba.
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Como nem tudo são flores, a nota triste veio com o falecimento do Pedrão. Pedro Alvares Feitosa. Muito antes de abrir o restaurante Tucunaré Pedrão foi lutador de Vale Tudo.
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Quantas vezes eu ainda adolescente, presenciei no ringue armando no palco do Cine Lacerda ou na quadra do Ferroviário Pedrão batendo e apanhando de adversários como Massa Bruta (Sabará) ou então do Bola Sete.
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Depois resolveu se transformar em empresário e abriu o Restaurante Tucunaré em 1967, o primeiro especializado na culinária beradeira. Até hoje e lá se vão 49 anos continua servindo a famosa caldeirada de tucunaré e a costela de tambaqui frita.
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Foi o idealizador da Boate Cambuquira que funcionava no prédio em frente ao Tucunaré, Tudo na rua Brasília.
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Quando ainda comandava o restaurante Pedrão tinha a mania de gravar nas paredes do ambiente, nomes dos fregues que ele considerava importantes. Até hoje estão lá, são centenas de nomes. Vai lá conferir.
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Ultimamente, até antes de adoecer, ficava em frente a sua residência aos sábados a tarde/noite, apreciando a roda de samba que a turma da escola de samba Asfaltão promove no bar do Calixto.
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Apesar de sisudo, jamais tratou mal alguém, era uma pessoa simples e do bem. Pessoas como o Pedrão podem ser consideradas ou são os verdadeiros Pioneiros de Rondônia.
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No Tucunaré tudo quando foi autoridade que visitou Rondônia, de presidente da república brasileira a dirigentes estrangeiros provou da caldeirada de tucunaré e da costela de tambaqui frita.
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Pedrão deixa saudades! Descansa em paz guerreiro! Quando o Asfaltão contou a história do Santa Barbara Pedrão desfilou na escola. Só pra registrar, ele era Diplomatas do Samba.
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Outro evento que marcou o final da semana passada, foi o Debate promovido pela SIC TV. Ali o “pau” quebrou entre alguns candidatos. Pena que de acordo com as normas das eleições 2016, os candidatos não podem contar com patrocínios de empresas e assim sendo, a torcia em frente a sede da televisão foi muito pouca.
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Quando escrevo pouca, quero dizer que não contou com militantes de todos os candidatos, pelo que vi apenas dois candidatos conseguiram colocar seus correligionários bandeirando. Uma coisa é certa. O pleito não está nada decidido.
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Apesar da última pesquisa do Ibope apontar o empate entre os candidatos Léo Morais e Mauro Nazif, nada está decido, qualquer um dos postulantes a prefeito do município de Porto Velho pode chegar ao segundo turno.
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Até o Pimenta de Rondônia. Não sei se os leitores lembram, na primeira eleição do Roberto Sobrinho ele tinha de acordo com as pesquisas apenas 5% de chance, resultado, se elegeu prefeito e foi reeleito.
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O Dr. Hilton Chaves pra mim foi o melhor no Debate, mas agiu muito tarde mesmo assim, quem sabe consegue chegar.
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Quem está subindo pelas paredes é o candidato Williames Pimentel. Com o apoio do governador Confúcio Moura que, inclusive, está participando ativamente da campanha, tem tudo para superar a rejeição e chegar lá. Isso se o eleitor não tomou conhecimento das denúncias feitas pelo candidato do PSDB.
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Roberto Sobrinho cujo julgamento até o fechamento dessa coluna as 17h30, ainda não havia terminado. Caso seja absolvido var dar trabalho.
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É como dizem no popular: Domingo tudo pode acontecer, inclusive NADA! 

Festival ocupa Oi Futuro com performances

O jornal Diário da Amazônia através de sua editoria de cultura marcara presença neste final de semana no Festival Mais Performance como um dos convidados especiais da Oi Futuro em Ipanema no Rio de Janeiro.
O festival apresenta trabalhos de 10 artistas nacionais e internacionais, que ao longo de três dias realizarão performances ao vivo para o público. Além disso, durante um mês, duas exposições ficarão em cartaz no centro cultural, incluindo uma mostra individual do artista austríaco Peter Weibel, um dos pioneiros na experimentação da arte e tecnologia, considerado um dos principais artistas mundiais na arte da performance.
Intitulada Peter Weibel: The Messenger, a mostra traz pela primeira vez ao Brasil, vídeos e fotos de performances da década de 1960 e 1970, além de trabalhos de poesia visual do artista. Todos os trabalhos são da coleção do ZKM – Centro de Arte e Mídia, em Karlsruhe, um dos mais importantes museus dedicados a arte e tecnologia do mundo.
A intensa programação trará ao público, experiências novas e artistas que abordam questões que vão do ritual ao tecnológico, abrindo novas perspectivas sobre a arte dos nossos dias.
Com curadoria de Caroline Menezes e direção de produção de Tathiana Lopes, a proposta do festival Mais Performance é apresentar diferentes facetas do que já é historicamente conhecido na arte da performance e novas tendências no campo desta manifestação artística. Por isso, o projeto tem como objetivo mostrar criações performáticas que transbordam o escopo das artes visuais e do corpo e abarcam a interdisciplinaridade como tendência e influência. O festival também pretende justapor passado e presente, trazendo a exposição de um artista que já tem mais de 50 anos de trajetória no campo da performance, Peter Weibel, e nomes estabelecidos e novos da arte contemporânea que experimentam com essa linguagem.
Participam da programação, além de Peter Weibel, a inglesa Flora Parrott e a francesa AnneRocquigny, os artistas brasileiros Túlio Pinto, Arthur Scovino, Wellington de Oliveira Júnior (Tutunho), Gabriela Noujaim, Marcella França, Debora Santiago, e o artista sergipano radicado em Berlim, Leandro Goddinho.

O Festival Mais Performance é realizado pela Cardápio de Ideias Comunicação e Eventos e Oi Futuro, e conta com o patrocínio da Oi, do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA COM - Mario de Queiroz Araujo

As gentilezas no atendimento na Raio de Sol



Conforme combinado, nesta edição vamos publicar a segunda parte da entrevista com o senhor Mario de Queiroz Araujo, proprietário da padaria Raio de Sol. Dessa vez ele nos conta sobre algumas pendengas sobre o andamento das negociações com um empresário local sobre a posse do prédio onde funciona a padaria. “Pedi 900 Mil pela minha parte e ele ofereceu 300 Mil e eu disse: Você não tem cabedal para comprar a minha parte”.
Apesar de estar com vontade de se aposentar, Mário afirma que jamais se mudará de Porto Velho. “Vou descansar no Tonhão”. Vamos à segunda parte da entrevista.

 ENTREVISTA (final)

Zk – Só tem essa padaria aqui da Brasília com a D. Pedro II ou têm outras?
Mário – Só tem essa e ela vai fechar no final deste ano.
Zk – Por quê?
Mário – Olha, tem uma pessoa aqui que vocês chamam de empresário, mais é um bandido... Quando aluguei o prédio onde funciona a padaria, procurei saber se estava ou não a venda uma vez que a dona com a família não estava mais morando aqui, estava indo para Ubajara la no Ceará. Começaram a oferecer e eu me propus a comprar e eles não respondiam minhas propostas. Assim foram anos e anos, até que um belo dia chegou o dono da Caroline Financeira Valclériston muito amigo nosso, perguntou se estava com algum problema financeiro. Perguntei o que estava acontecendo e ele disse: “É que tem um pedido de despejo contra o senhor”. Fiquei doido. Cheguei na 3ª Vara a moça perguntou, “o senhor é bidu”, por quê? “Porque estou com o processo na mão. É que está escrito na terceira página: por falta de consistência o processo deve ser arquivado”. O tempo foi passando e eles pararam de oferecer. Fui procurar saber quem era que tinha comprado, eu sabia quem era, mas, só por um nome Lindomar que é la de Ubajara. Liguei muito pra ele e não fui atendido, até que falei com a moça da Zeta e ela sugeriu que eu ligasse no celular dele. Eu disse que não queria falar com ele via celular uma coisa que era tão íntima pra ele. Resultado liguei, ele atendeu e eu perguntei: O Senhor comprou um prédio na D. Pedro II e ele: “Comprei, paguei em cima de uma certidão de inteiro teor” respondi: O senhor além de atrevido ainda fala alto pensando que vou ficar com medo? Olha, você deu um tiro no pé, porque possivelmente eu sou herdeiro do prédio (já estava correndo na 1ª Vara da Família o reconhecimento de uma moça que era filha do dono do prédio, antes dele casar com a outra. Quem me falou sobre isso foi o irmão dele e só faltava o DNA pra comprovar). O tempo foi passando e eu não o conhecia e ele passando aqui na porta e o povo falando, “o homem que comprou o prédio passou aí”. Ele despejou o Beto do Aquário que só foi despejado porque não aceitou que eu fosse testemunha, quer dizer, compraram algum silencio. Devo dizer que ele não é brigado comigo, tanto que se eu ligar agora ele atende na hora. Mudou de advogado até doer, até que um dia, resolvi aceitar uma reunião. Coincidentemente o Dr. Orestes Muniz estava advogando pra ele e ele ficou assustado com o tratamento que me foi dispensado pela equipe do Orestes. Abri um preço pra vender minha parte, porque sou dono do ponto, sou dono de 16,5% e tenho o fundo de comércio. Pedi R$ 900 Mil, ele riu e disse: dou R$ 300 MIL. Falei pra ele, to achando que você não tem cabedal pra me tirar de lá.
Zk – Faltou dizer sobre o fechamento da padaria?
Mário – Vou fechar porque não tem quem queira continuar. Quem quer continuar, não tem cabedal. Vou acabar vendendo isso aqui pra qualquer um. Propus comprar dele o restante do prédio e ele não vende porque é orgulhoso. Pergunto dele: Lá na sua “Petrobras” de Ubajara não te ajudam a comprar a minha parte? É assim, quem vai continuar? Não tem!
Zk – O senhor tem fama de ser muito exigente, inclusive no atendimento aos fregueses da padaria. Tem algum fato pitoresco:
Mário – Infelizmente sou desse jeito, meu pai me ensinou a viver e o que ele fazia era ser correto. Ser honesto não ocupa lugar. Tenho passado cada apuro financeiro, a padaria hoje não dar conta de fechar as portas. O que eu pago de fornecedor não é pouco, não devo, pago adiantado às vezes. Não tem nenhum funcionário pendente, tem duas ações trabalhistas que ocorreu no dia 19 do mês passado, a 1ª era R$ 39 Mil ficou em duas parcelas de Mil Reais com prazo. Tem outra de R$ 44 Mil que o Dr. Fernando Maia acha que vai ficar em Mil Reais. Tem que ser correto. Tem carro de polícia que passa aqui na porta, que sobe o vidro pra não me ouvir os chamar de ladrão.  Aliás, tem uma separação la de Goiás que devo R$ 220 Mil para o governo federal. Eles estão me dando um trabalho danado, fazendo sequestro de dinheiro na minha conta, porém, vou pagar agora esses dias, porque a casa lá de Goiânia vai ser vendida. Quero morrer sem dever a ninguém. Essa é minha índole.
Zk – E?
Mário – Quando fui aprender a fazer pão foi justamente pra saber mandar. O pão mais caro de Rondônia é o meu! Era até dias atrás. A Roma me aperreando pra subir o preço e eu disse que ia dar uma olhada, cheguei na padaria e minha mulher falou: “Por que você não baixa o pão. Dar 20% de desconto”. Não vou fazer assim não, porque vai dar uma quebradinha. Era 16 e passei pra R$ 13 o quilo, baixei mais de 20%. E to ganhando dinheiro. Ninguém gosta de mim sabe por quê? Porque falo mesmo, meu pão não azeda, porque aqui tem higiene. Tem muitos padeiros que param o carro lá do outro lado e manda alguém comprar pão aqui só pra ele comer pão de verdade.

Zk – Vai fechar e se aposentar?
Mário – Não! Vou apenas parar. Vou só pescar agora. A crise pra mim chegou, mas, não chegou igual como chegou pra muita gente. Em 2008 o Obama falou uma coisa durante a crise que estava acontecendo lá e eu o ouvi e fiz igual, naquela época tinha 24 funcionários, hoje tenho seis, quando mando embora, é por justa causa, não pode ser diferente a gente tem que ser parceiro. Trabalhei de gravata 30 anos, meus ternos tinham duas calças, eu não podia trabalhar sem gravata. Trabalhei na Mesbla e na Arno quando a Arno era alemã ainda. Se alguém comprar e quiser continuar com a padaria eu ensino.
Zk – Ta faltando o senhor dizer sua idade?
Mário – Sou de 1931, portanto, estou com 85 anos de idade. Em Rondônia depois da padaria minha atividade é pescar. Pesca esportiva (pega e solta). O Gener engenheiro de pesca me ensinou a fazer uma isca que é tão gostosa que eu como. Fui eu quem abriu o pesque e pague do Inácio na Estrada do Japonês. A isca é feita com trigo.
Zk- Faltou também relatar um fato pitoresco?
Mário – Você viu aí! Durante a entrevista uma senhora foi pagar o pão e pegou uma bala no recipiente e perguntou: “O senhor não vai me cobrar essa balinha não?”. Vou sim, afinal de contas ninguém me deu essa bala, por isso tenho que cobrar. A mulher se aborreceu, foi embora e deixou o pão no balcão. É assim!

Zk – Pra encerrar. O pão vai no saco de papel ou na sacola de plástico?


Mário – Meu pão é embrulhado em saco feito com papel especial branco. É inconcebível servir o pão em saco plástico. Acontece o seguinte: se ele estiver quente vai molhar, se tiver no papel e você viu a qualidade do papel que eu uso, branco, é muito mais caro, eu sou obrigado a fazer o meu produto e vende-lo. Ele não é mais caro por acaso, tem um custo, sei que hoje não estou ganhando dinheiro com ele, mas, estou trazendo mais gente que comprava em outro lugar, pra cá.
Zk – Mais alguma coisa?
Mário – Fico muito agradecido de você me ouvir. Por se preocupar em escrever sobre minha pessoa. Tem muita gente que fala bem, fala mal, mas, escrever bem ou mal não vi ninguém. Observo tanto que o seu patrão é o meu candidato a governador em 2018.

sábado, 24 de setembro de 2016

ENTREVISTA - Mario de Queiroz Araújo

As gentilezas no atendimento na Raio de Sol
Sexta feira dia 23, a boca da noite, fui comprar pão na Padaria Raio de Sol cujo pão é considerado o melhor de Porto Velho. O proprietário seu Mário diz que é o melhor do Brasil. Na realidade, há muito tempo minha vontade era entrevistá-lo, porém, ficava receoso, pois ele tem fama de não ser muito cortez. Naquele dia ao receber o troco perguntei. Gostaria de fazer uma consulta e ele respondeu. “Você vai ter que pagar por essa consulta”, era brincadeira e então perguntei se poderia entrevista-lo, pois o considero uma pessoa admirável pela sua maneira de ser. Ele concordou e logo depois estava eu e a fotografa Ana Célia Santos  minha esposa, no escritório do seu Mário onde passamos a ouvir histórias sobre a vida do cidadão que pensávamos ser incessível mas, que na realidade, é um ótimo papo. Com seu Mário ninguém escapa ao mesmo tempo em que elogia uma pessoa, não se constrange ao falar das falcatruas de outras e cita nomes de pessoas influentes da cidade. As histórias contadas pelo seu Mário são tantas, que para não perdermos nada, resolvemos publicá-las em duas edições.
A primeira você acompanha nesta edição e a segunda na edição da próxima terça feira.

ENTREVISTA

Zk – Vamos começar essa conversa?
Mário - Um dia, morando em Goiânia, chegou um emissário de    Rondônia entregando um produto pra minha mulher que a mãe dela tinha mandado e ficamos conversando. Eu conhecia bem a família dele, mas, ele eu não conhecia, convidei pra entrar mais não aceitou. Moral da história: eu o obriguei a entrar, ele ficou hospedado na minha casa. O nome dele é Rômulo Bertelli. Isso aconteceu em 1987. Ajudei ele trazer a família dele que morava na Espanha. Ele vendia lote, título de clube era vendedor avulso era ele e o Lima Filho.

Zk – Além da encomenda o que mais ele foi fazer em Goiânia?
Mário – Foi levar a mulher dele para dar a luz a uma criança o que estranhei muito. Acontece que ele não tinha dinheiro para pagar o hospital, mas, tinha um carro que era a minha cara. Comprei o carro, paguei e vim buscar aqui em Porto Velho. Chegando aqui gostei muito. O Lima Filho já era meu conhecido e me mostrou a padaria e eu gostei tanto que resolvi ser padeiro. Comprei uma padaria não deu certo, comprei outra também não deu certo. Fui a Goiânia e ao retornar, comprei do seu Paulo Garcia a metade dessa padaria aqui, que era lá no Jardim Eldorado isso tudo em 1987.
Zk – Dessa vez deu certo?
Mário – Sofri muito, vai daqui, vai dali, trabalhando e como eu não era profissional da área pois em Goiânia tinha uma imobiliária que ficava na praça principal, sou corretor de imóveis. Na padaria comecei a sofrer com os funcionários e então comecei a procurar recursos. Fiz curso de padeiro, acabei entrando para a Fiero onde fui diretor durante 14 anos junto com Miguel de Souza e Julio Miranda.
Zk – Bons tempos?
Mário – As coisas foram passando e eu não ganhei dinheiro do jeito que eu achava. Um belo dia perguntei do Wilson Mamede Júnior ex dono da Casa do Padeiro: O que acontece que eu trabalho, trabalho e não ganho dinheiro igual esse povo? Ele respondeu: seu Mário é muito simples, nós trabalhamos com pó branco (trigo) de 50 Kg. Moral da história, eu estou aqui vivo com 85 anos de idade, trabalhando, cumprindo com meus deveres profissionais, familiares e tudo mais.
Zk – O senhor é goiano de Goiânia?
Mário – Não! Sou mineiro de Divinópolis, vim pra Goiânia porque fiquei viúvo com dois filhos, hoje um mora na América outro em Divinópolis ambos da construção civil. Fui casado primeiro com Mariza Pardini que morreu. Devo dizer que nunca fui promíscuo. Arranjei outra mulher em Goiânia não casei, vivemos muito bem durante 28 anos e um dia ela me bateu e eu fui embora.
Zk – Como assim?
Mário – E ainda deu parte dizendo que eu é que tinha batido nela. Isso já aqui em Porto Velho. Foi engraçado porque fui intimado a depor às 10 horas. Depois de alguns minutos esperando para ser ouvido, pedi a moça recepcionista que lesse a intimação pra mim e ela, calma que o senhor já vai ser atendido, depois que insisti ela leu. Não é dez horas a minha audiência? É! Parece que já passou o horário, calma o senhor vai ser atendido agora. Não é dez hora que está escrito? É! Então feliz Natal pra senhora e fui embora. Mais tarde recebi outra intimação para as 11 horas do outro dia. Quando cheguei à delegacia da mulher antes das 11 horas, chegou um senhor e perguntou: O senhor é o seu Mário Queiroz? Sim, a delegada quer falar com o senhor. Sua esposa – eu não tenho esposa. Sua ex esposa ta la na sala mas, a delegada quer falar com o senhor em particular. Quando encontrei a delegada ela disse, sua ex esposa me falou umas coisas que achei por bem conhecer o senhor. Em primeiro lugar quero pedir um abraço pelo ensinamento que o senhor me proporcionou ontem. Hoje sua mulher acabou de tirar a queixa todinha e confessou o que ela fez. Ela foi embora, levou o que quis, devolveu o que quis e foi morar numa casa que estava alugada por Mil e Quinhentos Reais em 2001. Moral da história, ela tirou o inquilino. A casa estava alugada porque meu filho mais velho pediu: “Pai a casa ta muito grande pra mim, se eu alugar o senhor me dar o troco?” eu respondi, perfeitamente. Ele ficou sem o aluguel e a mulher tomou conta. Quando chegou a noticia que eu tinha que ir para uma peleja judicial o Sérgio Castelo Branco como meu advogado fez uma petição e minha atual mulher Icler Ibanez França falou: Por que você não dar aquela casa pra ela pra acabar com isso? Fiz a proposta e ela não respondeu. Depois de várias pelejas, hoje dia 23 de setembro de 2016, acho que foi a última. Ficou decido que a casa vai a leilão.
Zk – O senhor chegou a atuar como corretor de imóveis aqui em Porto Velho?
Mário – Não. Até fui localizado aqui pela Caixa Econômica Federal pelo meu cabedal lá em Goiânia e aqui eles me procuraram para ajudá-los no financiamento de imóveis. Pedi um prazo pra pensar e pesquisar e descobri que em Porto Velho ninguém tinha renda comprovada, então, trambique eu não queria fazer e continuei com padaria. Sofri muito, mas, sou feliz por ter sido padeiro.
Zk – Por falar nisso o senhor foi presidente do Sindicato dos Padeiros?
Mário – O Sindicato foi criado de cima pra baixo e a primeira coisa que fiz foi dar uma bronca. Puseram o Lima Filho como presidente e eu como vice. Na hora que o cara que montou isso veio pegar minha assinatura questionei: Que palhaçada é essa, você um cara acusado de crime de morte (havia matado um Juiz, parece), não lembro nem o nome dele. Acabei aceitando e acabei fazendo parte da diretoria da Fiero onde atuei por 14 anos, brigando por Porto Velho ao ponto de discutir sobre essas usinas, hoje tenho, os livros da Santo Antônio Energia com dedicatória. O Miguel de Souza pra mim foi o segundo melhor deputado federal que tivemos o primeiro foi o Confúcio Moura. O Bianco é muito meu amigo apesar de ter me dado uma boa quebradinha, a culpa foi do irmão dele o Arnaldo. Hoje por conta disso, tenho uns 20 Milhões pra receber do governo.
Zk – O senhor chegou a Porto Velho justamente durante a transição do governo militar para o civil. E então?
Mário – Quando aqui cheguei o governador era o Jerônimo Santana muito meu amigo, ele ia lá na padaria do Eldorado pra comer aquela broa de milho barriguda. Um dia aparece lá um amigo nosso, hoje meu irmão de maçonaria Orestes Muniz pedindo voto pra governador, falei pra ele, você não fez nada como é que quer governar o estado (sorrindo muito). Um dia um secretário da fazenda que não lembro o nome, numa reunião no auditório da EMATER eu perguntei: Eu compro de uma empresa, que fornece mercadorias, fornece notas tudo direitinho sem trambiques, só tem uma coisa que me deixa na dúvida, essa empresa é localizada no Km 12 da BR 319, lá não tem nenhum tijolo! Eles acharam até que eu não sairia vivo daquela reunião.

Zk – O seu pão é considerado o melhor da cidade, qual o segredo da receita?
Mário – Hoje graças a Deus vivo muito bem, minha atual mulher.
Hicler Ibanez França é realmente a companheira. Quando cheguei eu desmanchava 525 quilos de farinha de trigo por dia, em Candeias só eu entregava pão, não tinha padaria la. Era carrinho pra lá, carrinho pra cá vendendo pão e os funcionários rindo de mim, eu não era padeiro. Um dia fui a Fiero ali onde hoje é o Sesi Clinica, dei um grito: Como é que faz, quero criar um negócio de panificação aqui! E deu certo. Dias depois eu mandei 17 funcionários em volta de uma vez.
Zk – E a receita do pão Raio de Sol?
Mário – Veja bem, quando você cria, faz suas experiências. Até que cheguei no ponto certo. Todos os padeiros conhecem minha receita, Acontece que por ela ser muito cara, eles não querem. O meu pão tem vida. Você compra o meu pão e daqui a três, quatro cinco dias pode comer que está bom o dos outros no outro dia esfarela todo. Eles não põe nem olho de soja no pão. Eu coloco banha de porco que é cara. Eu faço um pão do jeito que precisa ser feito. A Daniele da Vigilância Sanitária me tem como referencia. Ano atrasado foram fechadas trinta e tantas padarias fechadas por falta de higiene, a Roma até mudou de dono hoje é o Tonhão lá. A Daniele me chamou para uma reunião eu disse que não queria ir e ela me disse que me queria la como referencia, resultado fui e quando cheguei, ela ainda não havia chegado, os colegas padeiros ficaram sussurrando, “pegaram o velho, pegaram o velho”. Quando ela chegou e me viu foi dizendo. “Ô seu Mário o senhor veio. Olha gente vocês vieram pelo laço e ele veio de livre e espontânea vontade. Fiquei um pedaço e fui embora.
Zk – Só tem essa padaria aqui da Brasília com a D. Pedro ou tem outras?
Mário – Só tem essa e ela vai fechar no final deste ano.
Zk – Por quê?
Mário – Olha tem uma pessoa aqui que vocês chamam de empresário, mais é um bandido...
Zk – Essa resposta completa você vai acompanhar na próxima edição, ou seja, terça feira dia 27.