terça-feira, 27 de junho de 2017

Lenha na Fogueira - 28.06.17


Se você tá 'zanzando' pela cidade, sem ter o que fazer, aproveita e dar uma passada na Cidade da Cultura (Parque dos Tanques), e confere a preparação do ambiente para receber a partir do 3 de julho, a 36ª Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás – Arraial Flor do Maracujá.
*********
Depois de muita negociação e conversa, a Federon conseguiu patrocínio financeiro para os grupos folclóricos, junto a empresa Marquise. Pena que essa grana chegou muito tarde.
********
Isso quer dizer, que apenas os grupos de quadrilhas juninas aceitaram se apresentar concorrendo ao título de melhor do Flor do Maracujá deste ano.
*******
Os bois bumbás estarão se apresentando, com todos seus itens, porém, não disputarão nenhum troféu, segundo seus dirigentes, ficou inviável trabalhar as alegorias e indumentárias, pois, só agora a subvenção da prefeitura começou a sair e o patrocínio da Marquise entrou no caixa da Federon somente ontem dia 27. “É muio pouco tempo para se confeccionar as alegorias”.
*******
Mesmo assim, as apresentações dos bumbás prometem. Apesar de oficialmente não acontecer a disputa, segundo palavras do presidente da Funcultural Ocampo Fernandes em reunião com os grupos de bois, da qual participei. A equipe da Funcultural estará observado e pontuando as performances dos bumbás. O que conseguir melhor avaliação, fará jus ao troféu “Funcultural/Maracujá 2017”.
*******
Essa a avaliação, segundo Ocampo, servirá de base para um estudo que a equipe da Fundação vai desenvolver, no sentido de premiar os Bois Bumbás no Arraial Flor do Maracujá do próximo ano (2018). “Nossa intensão é premiar com valores em espécies, as melhores apresentações”.
*******
Isso quer dizer, que quem se apresentar mais organizado este ano; no Flor do Maracujá 2018, vai receber um pouco mais que o contrário.
********
Agora o bicho vai pegar de vez, os grupos de quadrilha junina já meteram a mão na bufunfa e segundo a tradição: “Quem for podre que se quebre”. O teste parta o Flor do Maracujá começa amanhã 29, com a abertura do Arraial da Amizade.
********
O Arraial da Amizade vai promover concurso entre os grupos de quadrilhas que se inscreveram e vejam, praticamente todos os grupos considerados de ponta, garantiram inscrição e em consequência a participação. Vejam quem vai se apresentar no Arraial da Amizade:
*********
Junina Nova Estação; A Roça é Nossa; Rosa Divina; Estrela Divina; Matutos do Socialista; Estrela do Norte; Forte Príncipe; Rádio Farol e Girassol das Três Marias.
********
Nove grupos de quadrilha junina. A briga vai ser das melhores. Segundo tão falando nas quadras de ensaio, a JUABP ficou com medo de perder e com isso, macular o título do Flor do Maracujá do ano passado.
********
Outra que não quis entrar, foi a Flor da Primavera da dona Francisca. Quem ganhar o concurso do Arraial da Amizade que vai terminar no dia 2 de julho, ou seja, no próximo domingo, com certeza, vai dançar no Flor do Maracujá com muita moral.
********
O Flor do Maracujá deste ano, tá com cara que vai ser um dos melhores dos últimos anos, pra isso, a equipe da Federon está se virando. Destaco o trabalho do incansável professor Severino Castro. Esse é fera quando o assunto é organização!
********


Vamos agradecer a parceria do Casa Grande que está montando a estrutura de arquibancada na arena do Flor e com certeza, vai colaborar também com a montagem dos camarotes.
********
Antes do Flor, vamos prestigiar o concurso do Arraial da Amizade que começa nesta quinta feira dia 29, na rua Mamoré com a Amazonas.
********

Vem aí a festa em comemoração ao centenário do samba. Dia 1º no Mercado Cultural a partir das 16h30.

Estrutura do Maracujá já esta na Cidade da Cultura


A 36ª edição da Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás – Arraial Flor do Maracujá, esta praticamente com toda a estrutura montada na Cidade da Cultura (Parque dos Tanques).
Pela primeira vez, em 36 anos de existência, o Arraial Flor do Maracujá vai contar com o patrocínio principal, de uma empresa privada, no caso a Marquise. Foi uma negociação que envolveu vários entes, entre eles o prefeito Hildon Chaves, o Procurador Héverton Aguiar, o presidente da ALE deputando Maurão de Carvalho, o presidente da câmara de vereadores Maurício Carvalho, o ex senador Expedito Júnior e a diretoria da Federon. Graças à interferência dessas pessoas, conseguimos o patrocínio junto a empresa Marquise. Esse apoio vai direto para os grupos folclóricos trabalharem seus temas”, disse o presidente Fernando Rocha.
A abertura oficial da 36ª edição da maior festa folclórica de Rondônia, vai acontecer na próxima segunda feira dia 03 de julho, as 20 horas, com o show da banda de forró “Rabo de Vaca”. “A Funcultural divulgou que nos presentearia com o show do Fala Mansa, que viria sob o patrocínio do Ministério do Turismo, porém, o ministro Beltrão informou a prefeitura de Porto Velho, que os shows solicitados para a abertura do Flor do Maracujá e para os festivais de praia de Jacy Paraná e Fortaleza do Abunã não puderam ser agendados, em virtude do contingenciamento da verba do Ministério. Assim sendo, não é por culpá da prefeitura e em especial da Funcultural, que o show do Fala Mansa não vai acontecer e sim, por esse corte nos recursos do Ministério do Turismo”, informa Fernando.

Quem é quem no Flor 2017

A realização e coordenação do Flor do Maracujá 2017, é de responsabilidade da Federação de Grupos Folclóricos de Rondônia - Federon com apoio do governo do estado que é o responsável pela contratação das arquibancadas, tendas, palco, sonorização, iluminação e banheiros químicos.
A prefeitura de Porto Velho se responsabilizou pela limpeza da área total do Parque dos Tanques, inclusive asfaltando a arena de dança além de repassar aos grupos através da Funcultural o valor de R$ 200 Mil. A empresa Marquise assumiu a exclusividade da festa, através de contrato no valor de R$ 200 Mil que também serão repassados aos grupos e a Distribuidora da cerveja Cristal, que se responsabiliza em colocar as barracas pequenas. Mesas, cadeiras e geleiras.
A Federon é a responsável pela montagem dos camarotes. “O governo só contratou as arquibancadas, os camarotes foram contratados pela nossa Federação”, disse Fernando.

A entrada no Arraial (Parque dos Tanques)e para as arquibancadas será gratuita.

Festival de Parintins será transmitido ao vivo


O 52º Festival Folclórico de Parintins será transmitido na íntegra para todo o Brasil através da parceria entre “TV A Crítica” e “TV Cultura”.
No primeiro dia do evento, 30 de junho, a transmissão ocorre a partir das 21h30, no segundo, 1 de julho, a partir das 19h30 e no terceiro e último, 2 de julho, às 20h.
A apresentação vai contar com os jornalistas Ludimila Queiroz e Wilson Lima, da “TV A Crítica”. Os repórteres de Arena escalados são Clayton Pascarelli e a Nayandra. Mais de setenta profissionais estarão trabalhando na Ilha Tupinambarana para transmitir com excelência o Festival para 132 milhões de habitantes de 26 Estados e Distrito Federal.
A realização será no Centro Cultural e Esportivo Amazonino Mendes, localizado na Avenida Nações Unidas, s/n em Parintins-Amazonas.
A festa folclórica dos bois-bumbás, além de ser uma das comemorações mais aguardadas da região, é considerada uma das dez mais populares do Brasil. A cada ano, cerca de 100 mil pessoas se deslocam até a ilha para ver o espetáculo.
E não apenas o Bumbódromo se veste nas cores dos bois Garantido e Caprichoso. Ruas, bairros e prédios adotam pinturas e decoração com as cores vermelha para o boi Garantido e azul para o boi Caprichoso.

A primeira edição do Festival Folclórico de Parintins aconteceu em 1965, com a apresentação dos dois bois e 22 quadrilhas. Alguns anos depois, o evento cresceu, ganhou fama, foi transmitido nacionalmente e passou a ser considerado como atração turística.    

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Lenha na Fogueira 27.06.17


Fazer cultura popular no Brasil não é fácil. Agora imagem fazer cultura popular em Rondônia! Aí é que o bicho pega. A direção da Federon tá “Comendo o pão que o diabo amassou”, pra produzir a 36ª Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás – Arraial Flor do Maracujá.


*******
O governo do estado ha muito tempo, foi recomendado a não fazer repasse para os grupos folclóricos e ficou apenas com a obrigação de contratar a estrutura de palco, arquibancada, tendas, banheiros químicos etc. Coisa que está cumprindo a risca, inclusive, a estrutura desde a semana passada está sendo montada na Cidade da Cultura (Parque dos Tanques).


*******
Nessa parte a Sejucel recebe nota DEZ, pois, providenciou a contratação da empresa com bastante antecedência, o que garante que o Flor do Maracujá estará pronto para começar na próxima segunda feira dia 3 de julho.
*******
Por outro lado, a Federon responsável pela Produção do evento, também já tomou todas as providências no que diz respeito a apresentações dos grupos folclóricos e toda a programação dos 14 dias da festa. É isso mesmo, o Flor do Maracujá vai começar no dia 3 e só vai acabar no dia 16 de julho.
*******
Apesar de a prefeitura ter se esforçado para atender os grupos, financeiramente, com tempo suficiente para os mesmos se preparem para o Arraial, não foi possível, somente agora, a Funcultural foi autorizada a firmar contrato com cada grupo folclórico no sentido de repassar algum dinheiro para os mesmos se apresentarem.
********
A parte da Funcultural é de R$ 200 Mil que serão rateados, entre mais de trinta grupos folclóricos. O que, convenhamos, é muito pouco, para a custear despesas de grupos como a JUABP, Roça é Nossa, Girassol das Três Marias, Flor da Primavera, Rádio Farol e tantas outras quadrilhas de ponta.
*******
No naipe Boi Bumbá onde as despesas são muito maiores que a das quadrilhas, aí é que o negócio pega de verdade. Tanto, que a recém criada Liga dos Bumbás “Guanecer” solicitou à direção da Funcultural a não realização da competição entre os bumbás, em virtude do pouco recurso e do tempo para montar o Tema de cada boi.


*******
De qualquer maneira, os Bois irão se apresentar muito bem produzidos, pois, reciclaram as indumentárias do Flor do Maracujá do ano passado. Segundo informações de nossas fontes, uma empresa privada se comprometeu com o prefeito e com a Federon a fazer o repasse de R$ 200 Mil para os grupos se preparem. Só que esse recurso tá chegando muito em cima do Arraial.


********
Infelizmente, a abertura da festa não vai ser com o show do Fala Mansa. Acontece que esse show tinha a chancela do Ministério do Turismo e o Ministro comunicou a prefeitura que os recursos desse estilo de show, foram contingenciados e assim, não foi possível fechar contrato com o Fala Mansa.
*******
A direção da Federon, pega de surpresa com a suspensão do show do grupo paulista, já contratou a banda de forró, “Rabo de Vaca” uma das melhores da Amazônia que inclusive já se encontra em Porto Velho.


*******
Vale salientar, que a entrada no Flor do Maracujá é gratuita. Isso quer dizer, que os pais podem levar todos os filhos para assistir as apresentações dos grupos folclóricos durante as 14 noites do Arraial Flor do Maracujá e não pagarão nada para entrar.
*******
Comecei dizendo como é difícil se fazer cultura popular. Então! Por falta de recursos o Duelo na Fronteira previsto para acontecer nos dias 11, 12 e 13 de agosto em Guajará Mirim, caso a coordenação não resolva o problema com a empresa contratada para sua realização, pode contar apenas com um dos Bois.


*******

Creio que tudo será resolvido e tanto o Malhadinho como o Flor do Campo entrarão na arena no início do mês de agosto.

Corre Campo resgata brincadeira, boi de rua


O Boi Corre Campo, com mais de meio século de história, se apresentou no bairro Caiari como antigamente, na porta das casas. Uma iniciativa popular, por vontade e esforço da comunidade. Festa familiar, bela pela tradição que preserva”.
Assim a jornalista blogueira Luciana Oliveira postou nas redes sociais, sobre a apresentação do boi bumbá Corre Campo na noite de sábado 24, dia de São João, no arraial promovido pela comunidade do bairro Caiari, que reside no quarteirão da Duque de Caxias com a Rogério Weber.

Na realidade, a diretoria do Gigante Sagrado da Amazônia Ocidental na pessoa da presidente professora Maria José Brandão Alves – Dona Branca e do Amo Sílvio M. Santos, sentindo que a cada ano fica mias difícil conseguir jovens com disposição para brincar no boi, nas inúmeras apresentações que acontecem no período das festas juninas, resolveu, voltar ao tempo que os bois bumbás saiam pelas ruas de Porto Velho, cantando e dançando toada no rumo das residências dos “categas” (pessoas com maior posse financeira), para se apresentar nas noites de Santo Antônio, São João e São
Pedro. Assim sendo, resolveu atender solicitações feitas por diversas pessoas para dançar nas arraias comunitários. “Só que avisamos que nossa apresentação será pautada na brincadeira de antigamente, ou seja, no boi de rua e não naquela apresentação que a gente faz concorrendo ao troféu de melhor no Flor do Maracujá”, explicou a professora Maria José Brandão. Esse estilo de apresentação começou quando o grupo foi convidado a participar do Projeto da Semdestur: “É São João no Mercado Cultural” e o público adorou. “Tanto que fomos convidados para dançar na noite de São João no arraial do bairro Caiari” disse Sílvio Santos.

A próxima apresentação será sábado dia 1º de julho, no arraial da “Confraria Pobres do Caiari” na rua Presidente Dutra entre a Carlos Gomes e a Duque de Caxias. É como disse Luciana Oliveira: “Festa familiar, bela pela tradição que preserva”.

sábado, 24 de junho de 2017

ENTREVISTA Lucival da Silva

O chefe de cozinha cinco estrelas


Perto da minha nova morada na zona sul de Porto Velho, existe uma loja de artesanato que me chamou atenção, certo dia fui lá e conversei com o senhor que toma conta e fiquei sabendo que as peças eram confeccionadas pela esposa dona Pastora. Então falei pro João Zoghbi que todo domingo publica em sua página “Agenda” sobre o trabalho de algum artesão, e falei sobre as peças da loja de artesanato que existe perto da minha casa. Zoghbi foi lá conversou com a artesã e ao chegar à redação, me recomendou: “Zé o esposa da dona Pastora o Paulo, foi o primeiro cozinheiro do Hotel Vila Rica, é uma história e tanto”. Como sou vizinho, ao chegar em casa peguei o gravador e fui entrevistar o Paulo cujo nome de batismo é Lucival da Silva. “Paulo foi o nome que me deram dentro da cozinha”. Não só do Vila Rica, Paulo tem história na construção da Usina de Samuel, no Aquárius Selva Hotel e ultimamente na churrascaria Boi na Brasa. “O Uirandê era carne de pescoço. Estava sempre trazendo de suas viagens, novidades para o restaurante do hotel. Nenhuma feijoada servida nos hotéis de Porto Velho chegava perto da do Aquárius”.
E tem muito mais. Acompanhe a entrevista.


ENTREVISTA


Zk – Você veio pra Rondônia quando e por que?
Paulo – Primeiro vamos explicar, meu nome é Lucival da Silva, porém sou conhecido mesmo é como Paulo. Sou gaúcho de Porto Alegre. Estava em Foz do Iguaçu solteiro e queria andar, então vim pra Rondônia, era o ano de 1975. Foram 15 dias de ônibus de Cuiabá a Porto Velho.

Zk – E quais eram suas pretensões?
Paulo – Meu negócio era conhecer o Brasil e naquele tempo, se falava muito em Porto Velho-Rodônia por causa do garimpo e então vim pra cá, porém, meu negócio era trabalhar como cozinheiro.

Zk – E nesse ramo conseguiu emprego em qual empresa?
Paulo – Dei sorte porque estavam construindo a usina hidrelétrica de Samuel então, consegui ser contratado na minha profissão de cozinheiro. Depois não sei se você lembra, tinha um restaurante que ficava por trás da Três Cinco que era do Mário que atendia a Coca Cola, White Martins, Mercedes e outras empresas. A gente servia por dia, uma faixa de oito mil marmitex. Nesse ínterim chegou o Vila Rica e...


Zk – Como foi que você foi trabalhar no Vila Rica?
Paulo – O Vila Rica ia inaugurar e não tinha equipamento completo na cozinha para a inauguração. A cozinha estava toda aparelhada mais não tinha as panelas, então o Mário emprestou as panelas de ferro comigo junto.

Zk – O ofício de cozinheiro você aprendeu aonde?
Paulo – Aprendi em Foz do Iguaçu na obra de Itaipu. Primeiro fiz o curso de cozinheiro aplicado pela Itaipu, passei por todas as etapas dentro de uma cozinha e quando sai, era cozinheiro chefe. Voltando ao Vila Rica, na realidade quando foram abrir o restaurante do hotel tiveram dificuldade para contratar um chefe de cozinha, pois aqui em Porto Velho só existia nesse ofício eu mais uns dois.

Zk – É verdade que você quase foi policial?
Paulo – Por algum tempo, trabalhei no garimpo na mineradora Oriente Novo lá na região de Ariquemes e fomos chamados (éramos seis), para ser policial aqui em Porto Velho, chegando aqui um delegado que não lembro o nome, veio bater em nossas mãos de palmatória, olhei na cara dele e disse, vai bater na mão da pqp e fui embora de novo pro garimpo.

Zk – Você sempre trabalhou como cozinheiro, ou teve outros empregos?
Paulo – Meu negócio sempre foi cozinha, trabalhei inclusive nos barcos de turismo da Baré Tur durante oito anos,

Zk – E a história com o hotel Aquarius?
Paulo – O Aquarius era uma empresa muito boa em se falando de cardápio. O Uirandê era carne de pescoço, no bom sentido, ele viajava muito e sempre estava trocando o cardápio do restaurante, era só coisa boa que ele trazia, não tinha economia não. A economia era só no nosso pagamento que era pouco. Dentro de Porto Velho ele foi o cara que mais vendeu em se falando de restaurante na minha época. Não tinha pra ninguém, o restaurante do Rondon Palace Hotel andou dando uma encostadinha mas, não conseguiu superar o Aquarius não, principalmente nas feijoadas.

Zk – Você sempre foi o chefe de cozinha nos restaurantes que trabalhou. Qual a diferença do chefe para o cozinheiro?
Paulo – A diferença é que o chefe esquenta mais a cabeça. Qualquer erro na preparação ou na montagem do prato, ele é o responsável e se faltar um cozinheiro ele tem que meter a mão na massa. O tempero de todos os pratos é de responsabilidade do chefe.

Zk – O chefe de cozinha tem a obrigação de ter no seu currículo um prato de sua criação?
Paulo – Não existe nada disso, Nossa função é atender o que o cliente pede. O Uirandê era o cara mais carrasco em matéria de cardápio, ele só trazia cardápio pesado, era bom pra casa. Tinha um prato chamado “Arroz a Candomble” que só comia quem conhecia, era um prato pesado (no bolso). É um filé alto, só grelhado por fora e molho madeira com Champignon por cima e o Arroz.

Zk – Você chegou a trabalhar com nutricionista?
Paulo - Trabalhei! Pra falar a verdade, dentro de Porto Velho não encontrei uma nutricionista padrão, só cansada. No Boi na Brasa teve uma, que pegou uma carne que chegou que era para os marmitex. Às nove e meia à gente começava a servir os marmitex e a carne chegou era 8h40, ela queria que eu fizesse e eu respondi que não faria e ela ameaçou me demitir e eu respondi: você não manda nem em você! É mais fácil eu te tirar daqui. Ela foi demitida mesmo.

Zk – Fala sobre o Boi na Brasa?
Paulo – Trabalhei lá durante 14 anos. Quando comecei era apenas uma coberturazinha e hoje é aquela estrutura maravilhosa e tem mais, apesar de ter ficado famosa como churrascaria, eles trabalham muito com pratos a lá carte. Hoje é a casa que mais vende dentro de Porto Velho. Comigo os proprietários sempre foram muito bons.
Zk – Vamos falar mais um pouco sobre o Vila Rica?
Paulo – O Vila Rica nunca teve um movimento vamos dizer, grande, era uma casa muito calma. Quando foi inaugurado deu aquele movimentão, depois caiu e muito. Não segurou porque o preço deles era muito alto e o cardápio deles não tinha nada de novidade.
Zk – Vamos falar da sua vida sem a cozinha. Quando você chegou aqui foi morar aonde?
Paulo – Morei atrás do Gonçalves da Jorge Teixeira onde existia uma estância com uns quartinhos, porém, logo fui trabalhar na cozinha da usina de Samuel que era comandada pelo Coronel.


Zk – Coronel?
Paulo – O Coronel era tão bom que era carne de pescoço de verdade, ele não brincava não e eu já entrei como encarregado da cozinha no meu turno; Eram três turnos. Os colegas todo dia levavam pratada na cara dos peões insatisfeitos. Era só uma janelinha para atender os trabalhadores e quando cheguei falei: Essa janela aqui vocês vão ter que quebrar. O Coronel disse: “Os caras vão te matar” e eu: Deixa fazer, se não der certo o senhor me manda embora. O peão chegava pegava sua bandeja se quisesse mais um pouquinho eu autorizava e nunca mais aconteceu confusão na hora da refeição. Quando sai fui pra mineração. Quando a gente recebia na mineração ia tudo pra “Boca” (puteiro) ou então, ia pra Ariquemes onde as casas e as mulheres eram melhores.

Zk – Você casou em que ano e com quem?
Paulo – Casei em 1989 com a dona Pastora. Temos três filhos. Quem me apresentou a Pastora foi um amigo da mineração, namoramos, casamos e estamos juntos até hoje. O interessante, é que depois que vim da mineração, sempre morei no Caladinho, primeiro comprei terreno na rua Curitiba e depois na Miguel Calmon onde moro até hoje.

Zk – Você já foi dono de restaurante?
Paulo – Na verdade eu tinha uma churrascaria aqui na Calmon onde moro, Eu vendia entre sexta, sábado e domingo uma média de 200 quilos de carne, 90/100 caixas de cerveja e ai fui assaltado três vezes. Até o segundo assalto eu aguentei, no terceiro assalto resolvi fechar o negócio. Hoje estou aposentado, estou com 72 anos de idade.

Zk – Pra encerrar essa nossa conversa. Qual o segredo pra se fazer um bom churrasco?
Paulo – Pra falar a verdade, nunca gostei de trabalhar com churrasco. Não sou cara de estar metendo a mão em carvão e ficar com a cara na frente do fogo. Quando estava no Boi na Brasa às pessoas chamavam, ô churrasqueiro! Não me chame de churrasqueiro. Aquilo não é serviço pro cidadão não. O segredo é você selar a carne. Selar é o seguinte, depois da carne temperada, coloca ela no fogo alto e vai virando até selar toda que é pro sangue não sair, depois pode assar que ela fica suculenta, esse é o segredo. O corte sempre tem que ser a favor da fenda da carne. Filé não se corta bife, corta-se em tora, depois dar um soco e tá feito. Se cortar tipo bife fica igual uma borracha, sola de sapato.

Zk – Em sua opinião o Vila Rica fechou por que?
Paulo – Fechou por falta de movimento mesmo. A administração dele sempre foi ruim. Era uma casa muito potente que só tinha preço, não tinha qualidade.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Lenha na Fogueira - 24.06.17


Hoje é o aniversário do amigo João Carlos Alves popularmente conhecido como Carlinhos Maracanã. O grande agitador cultural. Parabéns Maraca!
********
E hoje é dia de São João. Tem tanta fogueira; tem tanto balão, o povo a noite inteira na beira da fogueira, faz adivinhação...
********
São pouquíssimas as fogueiras acesas nos dias de hoje, principalmente nas cidades consideradas de médio pra grande porte como é o caso de Porto Velho.
*******
Mesmo assim ainda podemos ver algumas, só, que com fogo artificial, com efeitos de led ou então papel colorido e um ventilador fazendo vento para dar a impressão que são chamas do fogo da fogueira. Tudo é válido quando o objetivo, é preservar a festa dos santos festeiros do mês de junho, Santo Antônio, São João e São Pedro.
********
O que quase já não se ver são as rodas de adivinhação. “Danei a faca no troco da Bananeira não gostei da brincadeira, Santo Antônio me enganou”. Essa simpatia é assim: Você passa uma faca virgem três vezes ao redor da fogueira. Corre até uma bananeira e enfia. Na manhã seguinte, a nódoa que escorre pelo caule da bananeira, forma a primeira letra do nome da pessoa que será seu futuro marido ou mulher.
********
Saí correndo lá pra beira da fogueira, ver meu rosto na bacia, água se derramou”. O resultado dessa simpatia é imediato. Você enche uma bacia com água, passa três vezes pela fogueira, acende uma vela e pinga na água da bacia, em alguns segundos a cera da vela forma a primeira Letra do nome da pessoa com quem você pretende namorar e até se casar.
*******
Antigamente as pessoas consideradas “categas” em Porto Velho, contratavam grupos de bois bumbás para dançar no terreiro de suas casas durante as festas juninas, principalmente na noite de São João.



*******
Tinha um seringalista que costumava contratar um grupo de boi para dançar em frente a sua residência na noite de São João, seus filhos convidavam os amiguinhos para “passar fogueira” e assistir a brincadeira do boi.
*******
O soldador conhecido como Zé Bossa era muito amigo do seringalista e numa dessas noites de São João, justamente no momento em que o boi se apresentava em frente a casa do “Coronel”, Zé Bossa chega bastante truviscado, vai até onde ele está e diz: “Fala com o Amo do boi pra ele me deixar tirar uns versos! - Tu sabe tirar verso Zé? - Pergunta o “Coronel”, Zé responde, dê a ordem pro senhor ver se eu sei ou não sei tirar verso!
*******
O seringalista chama o amo Galego e pede pra ele desafiar o Zé Bossa pra ver se ele sabe mesmo fazer verso de improviso.
*******
Galego fez o desafio e Zé Bossa foi pro meio do terreiro e cantou:
*******
Levanta meu boi levanta, Levanta de lá e vem; o dono da casa é corno, e as filhas transam também”...
********
O Coronel gritou de lá pros seus 'capangas' (todo seringalista tinha seus homens de confiança): Pega esse filho da mãe e dar uma sova bem dada. A Casa do Coronel era perto do Cemitério dos Inocentes e Zé desabalou na carreira e os capangas atrás e não quis nem saber que a cerca do cemitério era de arame farpado...
*******
Tem uma “estória” que até hoje é contada nos locais de ensaio dos bumbás de Porto Velho. É aquela na qual, o Amo cantou pro boi levantar e nada e quando foram ver, o “Miolo” (hoje é tripa) estava dormindo bêbado de baixo do boi. Só, que inventaram que ele (miolo) havia sido assassinado.
*******

Por falar nisso, hoje o boi Corre Campo se apresenta na casa da dona Raimundinha do Cabo Omar na Duque de Caxias com a Rogério Weber no bairro Caiari as 21 horas. Revivendo a brincadeira do boi de rua. “Vou chegando vou entrando, com meu garrote ,mimoso, na casa da Raimundinha, Corre Campo é amoroso”. Nostalgia pura!